segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Notícia de última hora!

Neste fim de semana, a Comissão da Feira Taurina de Madrid (2010) deslocou-se à Terceira para chegar a acordo com três ganaderias da ilha. O interesse desta Comissão já é antigo, mas por questões logísticas nunca foi concretizado. No entanto, a boa vontade das pessoas envolvidas é enorme e o acordo para que essas ganaderias apresentem três curros de touros nessa Feira poderá estar prestes a ser fechado!

Uma reportagem exclusiva, a não perder aqui no GFARG!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Feira de São João 2009



21 de Junho (Domingo)


“Corrida da Oportunidade”

Cavaleiro: Rui Lopes

Matadores: Manuel Dias Gomes e José Manuel Mass

Forcados: Tertúlia Tauromáquica Terceirense

Toiros: 2 Rego Botelho, 2 Irmãos Toste, 2 Herd. Ezequiel Rodrigues (cavalo)


24 de Junho (Quarta-Feira)

“Corrida de Prata – 25 da Monumental Ilha Terceira”

Cavaleiros: Marcos Tenório Bastinhas e Tiago Pamplona (João Pamplona lidará também no final)

Matador: Ruben Pinar

Forcados: Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Amadores do Ramo Grande

Toiros: 5 Irmãos Toste (cavalo) e 2 Rego Botelho


26 de Junho (Sexta-feira)

“Majestosa Corrida”

Matador: “El Juli”

Cavaleiro: Manuel Lupi

Forcados: Tertúlia Tauromáquica Terceirense

Toiros: Rego Botelho


27 de Junho (Sábado)

“Imponente Mano-a-Mano”

Cavaleiro: Vítor Ribeiro

Matador: “El Fundi”

Forcados: Amadores do Ramo Grande

Toiros: C.A. José Albino Fernandes


28 de Junho (Domingo)

“Grandioso Concurso de Ganadarias”

Cavaleiros: Vítor Ribeiro, Manuel Lupi e Marcos Tenório Bastinhas

Forcados: Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Amadores do Ramo Grande

Toiros: 2 Irmãos Toste, 2 Rego Botelho, 2 C.A. José Albino Fernandes

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Poema

Este poema foi deixado pelo nosso amigo "Capinha" no hi5 do Miguel. Peço desculpa pela intromissão, pelo "roubo"(peço desculpa aos dois!), mas acho que todos concordam que também ficaria bem aqui!
Não sei quem foi o(a) autor(a), mas ficam aqui os meus parabéns!

"FORCADO

É assim que tudo começa já há musica na praça,
salta para a arena com graça.

Meias brancas de candura · Tira vermelha à cintura.
Jaqueta floreada, para pegar a criatura.
É assim que tudo começa,
Como se fosse uma peça.
É assim que segue a cena.
O barrete já desbotado, traz a alma do forcado.

É esforçado e persistente,
Tem rebeldia, é valente.
Chama Eh Toiro! Mostra o que sente.
É assim que segue a cena,
Como se fosse um poema.
É assim que surge a emoção,
Uns podem dizer que e louco, mas no seu coração sabe a pouco.
A cabeça o toiro começa a erguer,
A terra faz estremecer,
Afinca-se o sentimento, ao desatar a correr.
É assim que surge a emoção,
Como se fosse uma canção.
É assim que se segue em glória...
O Forcado aumenta o respirar, encontra o touro a arfar.
Agarra os cornos em legítima defesa,
Um momento de rara beleza.
Esta feita a pega, linda, brava, com certeza!
É assim que se segue em gloria,
Como se fosse uma historia.
É assim que se acaba em grande.
Aplauso, apupos e euforia, o Forcado solta o toiro com alegria.
Só o rabejador ficou, o grupo todo se afastou.
O público acarinhou,
Voltear a arena, a lide encerrou.
É assim que se acaba em grande,
Como arte que corre no sangue!"

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Forcado

"Os forcados são grupos amadores de vários homens que numa corrida de touros pegam o touro. Quando se executa uma pega, oito homens entram na arena, o primeiro é o forcado da cara; os outros sete ajudam-no a imobilizar o touro, havendo um (o rabejador) que segura no rabo do touro, para provocar o seu desequilibro e para quando os seus companheiros o largarem este não invista sobre eles.

A Origem dos Forcados

Em 1836, no reinado de D. Maria II, foi decretado a proibição da morte dos toiros na arena, para remate da lide dos cavaleiros, passou-se a pegar o toiro.

Foi assim que no século XIX teve formalmente origem a existência dos forcados como conhecemos nos dias de hoje.

Descendem directamente dos antigos Monteiros da Choca, grupo de moços que, com os seus bastões terminando em forquilha ou forcados, defendiam na arena o acesso à escadaria do camarote do Rei, que com o decreto de D. Maria III passaram a ser eles a pegar o toiro, evoluindo o nome de Monteiros da Choca, para Moços de Forcado ou simplesmente Forcados.

A pega já se praticava sem galardões de espectáculo e a sua técnica seguramente já era conhecida mas como tudo sofreu algumas alterações até aos dias de hoje.

Depois da reunião do primeiro elemento com o touro, cabe aos ajudas a tarefa de imobilizar o touro para que a pega se considere realizada.

O rabejador é o responsável por rematar a pega.

A Pega

A pega do toiro não é a actividade brutal que pode parecer às pessoas menos conhecedoras, é uma arte que se baseia numa técnica precisa.

Existem vários tipos de pegas, as mais conhecidas e utilizadas nos nossos dias são a pega de caras e a pega de cernelha.

Na pega de caras, o primeiro elemento, o forcado da cara, tem como objectivo fechar-se na cara do toiro, após se ter agarrado aos cornos ou ao pescoço do touro e amortecido o choque da investida. Não se espera que esse forcado segure o toiro sozinho, apenas se lhe exige que aguente os derrotes com que o touro o tenta lançar fora, até que os restantes sete forcados o ajudem, também sob uma determinada técnica, secundem o seu esforço e imobilizem o touro. Nessa altura a pega é consumada e o touro é libertado.

Também a pega de cernelha obedece a uma técnica. Executada por dois elementos, o cernelheiro e o rabejador, esperam o encabestrar do touro para tentar a sua sorte. Desta feita a tentativa da pega é feita por um elemento agarrado de lado e outro ao rabo do touro, com o mesmo objectivo, imobilizar o touro.

A estética está sempre presente. O forcado vale pela sua serenidade e sangue frio, mas também pela sua qualidade artística. Não necessita de invulgar força ou robustez, antes terá de desenvolver qualidades psicológicas, pelo que se diz que a pega é uma escola de virtudes.

Quando um forcado caminha na arena em direcção ao toiro, sem outra protecção que a confiança na sua destreza, terá de vencer a luta consigo próprio. O medo está sempre presente e a contrapor tem acima de tudo o apoio dos seus companheiros, a dependência um dos outros fá-los ter entre si uma amizade única que os acompanha pela vida fora.

O cernelheiro e o rabejador esperam o encabestrar do touro para poderem tentar a entrada sem serem vistos.

Depois da entrada, o objectivo da pega de cernelha é o mesmo, imobilizar o touro para que a pega se considere realizada.

A Formação

Todos os anos dezenas de jovens procuram experimentar a aventura de pegar um toiro, por intermédio dos amigos ou familiares surgem nos treinos cheios de vontade de mostrar a sua valentia , têm um sonho, ser forcado.

É nos treinos e nas ferras que se começa a conhecer o potencial do futuro forcado. A destreza, a garra e o jeito surgem em bruto prontos para serem moldados pega após pega, aconselhar e corrigir é o papel do cabo perante os novos elementos.

A maneira como se inter relacionam é também um factor muito importante, para o Grupo ter êxito em praça, o colectivo tem de ser forte e o novo elemento tem de conhecer a filosofia do forcado para perante a adversidade conseguir reagir com confiança em si próprio e no Grupo.

Além dos treinos e das ferras, a formação dos novos forcados passa por grupos de escalões inferiores (juvenil, infantil e benjamim), onde o convívio, o lazer e a boa disposição são os factores importantes, mas sempre com o incentivo de os preparar para a nova actividade do Forcado Amador."

In Wikikédia

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"Quanta emoção e espectáculo na arte destes toureiros! "

"É ponto assente e não há volta a dar!

Boa parte do sucesso dos espectáculos tauromáquicos em Portugal fica a dever-se à acção dos forcados. São os forcados responsáveis ainda pela presença (crescente!) de gente nova nas praças de toiros, jovens fascinados pela emoção, arrojo e arte da Pega de Caras.

Quantas vezes não se resumem as corridas ao conjunto de pegas valentes em contraste com o descolorido desempenho de outros toureiros, quantas ?

Envergue ou não a jaqueta de grupo com história; seja ou não seja o grupo filiado na associação de classe; pegue ou não pegue o grupo mais de vinte corridas, o forcado na arena assume sempre o estatuto de toureiro de primeira, quando avança, quando cita, quando se fecha à cornea ou à barbela, quando ajuda, quando rabeja. O toiro, quando se arranca, não lhe questiona identificação, classe social ou pergaminhos, nem o cumprimenta pela antiguidade das ramagens da jaqueta.

Os forcados são todos iguais e todos humanos. Como tal, têm dias e dias, bons e maus, tardes de glória e outras de tristeza e “vergonha”. Mas continuam forcados embora isso possa desagradar a uns tantos presumidos.

Esta verdade caracteriza as temporadas, uma a uma, em cada corrida, em cada praça. O mesmo forcado, que ontem encheu o título da crónica, pode não merecer uma linha na apreciação do espectáculo de hoje mas, lá por isso, não deixou, e não deixa, de ser toureiro, pronto para a próxima chamada.

Na temporada açoriana de 2008, os forcados reclamaram boa parte da atenção dos média pela alta qualidade das actuações.

Com um ano de existência, os Forcados Amadores do Ramo Grande obtiveram o reconhecimento da Associação Nacional de Grupos de Forcados. O facto permitiu que, pela primeira vez, a Feira de São João apresentasse no cartaz dois grupos terceirenses (devidamente legalizados).

O reconhecimento do Ramo Grande pela ANGF e a inclusão nas Sanjoaninas foram acontecimentos relevantes no historial da forcadagem nos Açores.

Outro dado para a história de 2008 esteve nas celebrações dos 35 anos de actividade do Grupo dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.

De referir que outro ponto alto da temporada foi a presença dos Amadores de Lisboa na Feira da Semana Cultural das Velas, S. Jorge. Por sua vez, os Amadores de Turlock (California) dividiram as pegas na Feira da Graciosa com os Amadores da T.T.T., depois de, em 2007, o terem feito em S. Jorge.

Na Praça Ilha Terceira, a temporada apontou 3 grupos de forcados: Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Amadores do Aposento da Chamusca, Amadores do Ramo Grande.

O protagonismo destes grupos foi (sempre) louvado na escrita dos jornais e revistas, no som e imagem das rádios e televisões quando, fardados, interpretavam o toureio na arte de pegar toiros.

A temporada abriu com o festival “Luís Fagundes”. Perante 7 novilhos/toiros de 6 ganadarias terceirenses, os Amadores do Ramo Grande honraram as jaquetas com uma série de pegas de qualidade, emoção e espectáculo. Foram caras César Pires (a dobrar o Cabo, Filipe Pires), Manuel Pires, André Parreira, Hugo Neves, Bruno Anjo, Nuno Pires e Valter Silva.

Vieram as Sanjoaninas ( 4 Corridas) com disputa acesa entre os dois grupos da Terceira. No concurso, destacou-se Álvaro Dentinho, dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, na pega ao 3º da segunda corrida, exemplar de Irmãos Toste, lidado por Rui Lopes.

Em Julho, o Concurso de Pegas da II Corrida do Emigrante exigiu muita entrega aos Amadores da Tertúlia Terceirense e aos Amadores do Aposento da Chamusca. Que noite para os forcados !

Marco Sousa, da T.T.T., foi distinguido com o troféu da melhor pega mas qualquer outra poderia ter saído triunfadora já que César Fonseca e Décio Dias (TTT), João Braga, João Vinagre e Alexandre Miga (Ap. Chamusca) foram enormes de valentia, arrojo e técnica.

Novo despique entre os grupos terceirenses aconteceu em Agosto com as Festas da Praia da Vitória (Corrida Mista, 7 toiros).

Foram 5 pegas monumentais: César Fonseca e João Pedro Ávila (TTT), Manuel Pires e André Parreira (R. Grande). A 5ª intervenção dos forcados, com Nuno Pires na cara, foi levada a cabo por um misto dos dois grupos com Álvaro Dentinho a rabejar. A título de exemplo, a pega de Manuel Pires (R. Grande) ao 2º da ordem, exemplar de Irmãos Toste, 520 Kg., foi qualquer coisa de extraordinário. O forcado sofreu, e aguentou, 8 derrotes violentos até se fixar definitivamente na barbela. Oito derrotes... contados, um a um, na sequência fotográfica de um dos companheiros de trabalho na trincheira.

A temporada fantástica dos forcados encerrou na Praça Ilha Terceira com o Concurso de Ganadarias/Corrida dos 35 anos dos Forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense ( 6 toiros + 1 novilho extra-concurso).

Os Amadores em festa de aniversário exibiram-se a contento com intervenções de Adalberto Belerique, o Cabo do Grupo, César Fonseca, Marco Sousa, José Vicente, Décio Dias, Helénio Melo ( a dobrar João Pedro Ávila, lesionado) e Álvaro Dentinho.

Não há mesmo volta a dar. A “corrida à portuguesa” vive muito à conta da acção dos forcados.

Graças a Deus, por estas bandas atlânticas, há cada vez mais jovens a juntar-se aos Grupos de Forcados da Terceira, os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e os Amadores do Ramo Grande."

Mário Aguiar Rodrigues in A União